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Publicado o domingo, 18 de novembro de 2007
FERREIROS
Ferreiros é uma paróquia que baixa da Montanha do Páramo até a ribeira do Loio, pertencente hoje ao Concelho de Paradela, outrora ao Condado Paramiensis. E uma paróquia de importantes caminhos, como o Caminho Francés de Sant Iago ou a Carga dos maragatos pela que iam à feira do Páramo os comerciantes de mais lá do Berço. E tem, Ferreiros, um penedo como pico do que se chama o Monte maior ou as Lajes, no limite com Friólfe, que um cura desta freguesia chamava a "aduana". O mito diz que as Lajes som terra de vinho, e hoje estám na denominaçom de orige Ribeira Sacra _injusta com Frilólfe, antiguo Couto das Bernardas de Pantón_ mas duvido que se desse muito vinho nesse pico da Montanha do Páramo, superado em altura só polo Faro.

Une-me a Ferreiros a minha familia materna e a paterna, e vêr Ferreiros fora do Páramo quase me é impossível, mas as aldeias dessa paróquia onde eu tinha raizes familiares estám condeadas a desaparescer, como desaparesceram os caminhos pelos que lá ia e as gentes que nas terras pelas que passavam trabalhava.

Ferreiros sofre a despopulaçom num dos concelhos mais pobres da provincia de Lugo, pesse a que há grandes propiedades, mas a terra sem amor nunca dará nada, e o amor á terra exige organizar-se.

Ferreiros teve uma igreja románica na Eireje e um hospital em Miralhos, onde agora está a igreja contemporánea, lugar famoso pela cozinha da senhora Pepa.

O Caminho de Sant Iago há anos tinha um aporte cultural que impediu que nesta freguesia se destruissem calçadas e outras coisas. Mas o Caminho massificou-se e desde que empeçou essa massificaçom as coisas cambiaram e xurdiu a sujedade deixada arredor do caminho, o chauvinismo de quem como nom sabe oferecer o que tem, inventa e em Ferreiros agora "há" obras románicas, campos de feira e outro montom de coisas, mas nom "há" a capela da Parede ou a de Fruginde, nem a fermosa arquitectura popular á que nos últimos tempos lhe engadiram bloco e outras coisas pouco acertadas.

Recordo há bastantes anos uma Ferreiros cheia de gente, quando minha avóa estava com a derradeira doença e eu lhe ia buscar os correios ao primo Bautista, que morreria vitima das deficiências sanitárias, milho e centeno que alimentavam saborosas carnes, como as das perdizes e coelhos, como as cristalinas augas dos micro-rios que o mito sostinha que saiam dum rio subterraneo que levava tanta auga como o minho no verão; micro-rios, digo, porque em Ferreiros se emprega pouco a palavra regueiro. A Ferreiros de vida, embora as carências, interessa-me mais que a do consumismo que aniquila os arredores. Saudades!

Suso L. Gaioso
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