O "Tiburcio" chamava-se Manuel, mas com era filho do Tomé de Cendoi, o que empeçou sendo o nome da casa acabou em apodo, por mais que soe bem distinto.
O "Tibúrcio" nasceu em Cendoi, uma aldeia da freguesía de Adai que era a mais comercial do Páramo, e que semelha que no futuro será uma vila, nom muito ordenada.
Os pais do "Tibúrcio" eram taverneiros, a mãe boa cozinheira e o pai nom mau lavrador. Junto á Marinheira, uma finca que dá bons cogumelos, tojos, carqueijas e carvalhos, os pais do Tibúrcio tinham uma esterqueira, numas folgaças chamadas a Estrada, onde faciam um esterco anaeróbico muito bom. E na Marinheira, o "Tibúrcio" fixera um caseto pegado a um carvalho, exemplo da micro-arquitectura paramesa.
Na escola surprendia o Manolo pela sua inteligência, mas davam-lhe ataques epilépticos e pronto alguma gente o foi pondo por tolo, o qual deveu sêr muito duro para ele, pois eram tempos de pouca compreençom.
Os pais de Manolo morreram, e ele quixo seguer com a taverna, e os melhores clientes que tinha eram os adolescentes que lhe iam comprar navalhas, máquinas de fazer cigarros,... Pronto foi deixando de têr mercancia, sempre dizeia "temos o pedido feito", mas nunca lhe chegava. Também segueu trabalhando a terra, com umas vacas extremadamente fracas, que lindava no que eu e um vizinho defenimos como zona mineira de Friólfe, pois de ali sacou-se grava e argila, e o Manolo segava érva regada pelas fertis augas do pequeno regueiro Quelhe, que quando subia de caudal, por lá ancorava. Mas o Manolo nom sempre dava levado a érva para a casa, e ás vezes acabava queimando-a quando já estava podre.
O Manolo estava fascinado pela tecnologia, e dedicou-se a buscar auga e mirar o sexo do embriom dos ovos, com os seus aparatinhos, mas semelha que nom acertava muito.
Finalmente, o Manolo ficou sem vacas e sem taverna e ajadava a uns vizihos, parentes lonjanos, que também tin ham taverna, onde pela noite soía estar com a gente, contestando filosoficamente ao que a gente dizeia, e alguma vez contestava em verso. A pessar de que nunca um poema deveu escrever, pôde considerarse um representante da pesia paramesa. E nom digamos já nada das suas dotes matematicas, pois facia operaçons con mais rapidez que uma calculadora.
Finalmente, o Manolo feriu-se na cabeza duas vezes seguidas, pelas caidas de outros tantos ataques epilépticos. A partir de ai o seu estado psíquico deteriorou-se e acabou no manicómio de Castro, onde segue. Um dia fum-no vêr e já nom me conhecia porque, segundo ele, já tinha cinquenta e oito anos, três meses e non sei quantos dias. Laiava-se de que nom lhe deixavam pôr boina nem coisa "semejante" e lhe facia dano o sol, pesse a que estava á sombra.
Vaia logo, o meu recordo a aquele home algo negociante, algo lavrador, algo poeta, algo matemático, algo filosofo... Porque o "Tibúrcio" era algo de tudo, e seguê-o sendo.
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