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luns, 17 de dezembro de 2007
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| UM ANO SEM O BERTO |
Avelino Castro, o Berto, era um home da aldeia na que eu nascim, à que quixo toda a sua vida, até o ponto de que nom gostou de que no prólogo do meu último livro nom saisse que eu era de Vigo. Ele está nesse livro e noutras partes da minha literatura, onde soo definí-lo como "aquele home".
Nom justificarei nunca a sua simpatia por pessoages fascistas, a sua defessa atroz da propriedade privada ou os seus comportamentos resentidos, embora uma analise do mundo en que viveu é possível que o libertá-se de culpas, e o Berto noutro espaço e noutro tempo quiçá fôsse algo distinto. Mas isto deixemo-lo para quem entenda de psicologia e sociologia. O meu agora é o reconhecimento a uma pessoa que influiu na minha vida e a de outras muitas pessoas de jeito positivo.
Na nóssa infância nom tevemos a melhor das escolas e sem o Berto e outros homes e mulheres nom teriamos um minimo de cultura. A sua vinculaçom ao nósso ensino está também pelos aperos en miniatura que havia na escola de Outeiro, feitos por ele, que como no poema de Manuel María, o aradinho de pao levava timom e chavela. Mas no meu caso passei horas arredor do caldeiro no que se cozía aos porcos e noutros sítios conversando de temas que com outra gente era impossível. E tinha uma certa capacidade literária para inventar histórias ou versificar.
O Berto fora aluno de don Pedro, o mestre cordovês de Friólfe, assassinado no seu povo de Priego onde nem sequer se sabe da tomba, mas que graças a gente como o Berto logramos sacar do esquecemento histórico, por mais que ainda fique muito por desempoar. O mestre republicano fora un adiantado para a súa época, e ésto sabiam-no o Berto e algumas pessoas mais, que lhe ficavam obrigadas nom só pela sua integraçom social na freguesia, que contribuiu à sua participaçom em obras e acontecementos comuns.
O Berto fixo obras na sua vida que som exemplo de arquitectura popular no meio do feismo, e nom digamos o cuidado das suas fincas, mesmo quando já nom as trabalhava ele, com paredes e gaveas bem cuidadas, com cultivos ageitados, com umas cancelas que chamavam a atençom a quen arredor passava.
O Berto converteia em abono o lixo orgánico, sendo assim exemplo do que se deve fazer, sobretudo quando nom se quer pagar mais pelo bilhete de recolha do lixo.
Em fim, foi-se um home há um ano e o povo já nom é o mesmo, porque já nom há com quem falar, que aquela mulher que também nos integrava na história, que era a Vitória do Rego, morreu já antes que ele. E onde estejam os dois, a mim dam-me força para amar a Vigo de Friólfe, por mais que nom semelhe mais que um montom de pedras à beira do pequeno regueiro Quelhe com o seu canto saudoso, que me fai recordar quando o Berto me convidou a comer uma lebre que ele caçara e a sua mulher -boa bozinheira- guisara. Foi há muitos anos, mas semelha muito recente. A lebre era do Cochom, crêio, e tinha a carne preta.
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| Suso L. Gaioso |
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