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venres, 21 de dezembro de 2007
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| Lembrança do primo Bautista |
O Bautista nasceu na aldeia de minha mãe, na casa da que saira minha avóa. Nos anos cinquenta do século passado, entre a fortuna que produzia a demanda de cereais e o autoconsumo. A sua casa era um exemplo de arquitectura integrada na Natureza, e uma casa sóa quase era um povoado, nom só pela grandura da casa, senom porque antes de nascer o Bautista chegou a haver dezasete pessoas naquela casa. E aquela casa estava numa aldeia onde tinham muito pesso as mulheres, a pessar do machismo imperante, mesmo por isso, já que o home tinha mais facilidade para emigrar. E essa aldeia estava numa paróquia enfrentada ao franquismo, que respondera com cárcere para três homes.
Quando o Bautista foi moço pertenceu a aquela mocidade própria do Páramo e Paradela, famosa por consumir muitos cuba-livres, e namorou-se pronto duma moça. Uma vida normal dum moço de aquelas terras. Mas cansava nos trabalhos até que um dia o foi vêr um médico, privado, dado que a Segurança Social de aquela nom era universal. Ele estava a pouco de ir à mili, e este médico dixo-lhe que alegara doença, já que ali tinham mais meios, para mirá-lo pois tinha o fígado mal. Mas o Bautista nom alegou porque de aquela nom se sentía mal, e quiçá porque quem nom facia a mili nom se facia home, ante a gente submisa ao regime; fazer a mili e gastar bastante mentres se facía era já sêr um home adulto, embora naquela zona houve-se gente que nom estava com o régime.
E o Bautista veu da mili e seguia-se cansando. Até que foi ao médico e lhe descobríu uma hepatite; empeçou a tomar medicamentos, parou de beber alcool e levar uma dieta na alimentaçom. Mas segueia cansando e hinchando. Várias vezes esteve hospitalizado. Havia momentos bons, mas onde mais estava era na cama. Acompanhava-o eu quando ia buscar os correios da moça ou colher o taxi para í-la vêr, pois a súa aldeia nom chegava nengum automóvel. Paravamos muitas vezes a tomar algo na velha taverna de Miralhos, onde já nom havia grandes tertúlias nem boas comidas, senom uns refrescos e vinho e cerveja, como se aquele mundo estevê-se esmorecendo, mas nom eram maus tempos para a gente do sítio realmente, dado que estava aparescendo a mecanizaçom do campo, e muita gente vinha de Suiça com dinheiro. Era a transiçom politica que dava certo ar de liberdade e esperança, embora permaneceram preconceitos criados no isolamento e na submisom.
O Bautista quixo sacar o carnet de conduzir e marchou-se a Barcelona, onde tinha familia, e sacou-no mas já nom poderia usá-lo porque lhe chegaria pelos correios uns dias depois do seu enterro. Tinha vinte e sete anos.
Recordo principalmente um dia lindando as vacas, nos Balados, que esteve mirando uns apontamentos literários meus dos que gostou, mas nom pudo vêr nada meu publicado.
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| Suso L. Gaioso |
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