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Publicado o mércores, 2 de janeiro de 2008
SUSO MORREU
Suso era um vizinho meu que enterramos o dia de noite velha, o mesmo que outro vizinho de Páramo da sua idade, filho dum velho sindicalista, do que tenho boa lembrança duma vez que coincidim com el num autocarro.

Suso foi o último morador do seu lugar, e cuidava voltar a ele quando saira do hospital, mas nom o pudo fazer. O canero non lhe deixou.

No Redondo, o lugar do Suso, chegou a haver cinco casas habitadas, mas hoje nom há nenguma. O alumeado público e o contentor do lixo nom prestam serviço a naide, e como lá podiam estar em muitos sítios do Páramo por onde transinte qualquer.

À veira do Redondo havia dois lavadoiros, que davam sensaçom de vida ao lugar, onde havia cádavos, ninfas de libélula, rãs, sabandijas... que eram a garantia de depredaçom das pragas. Estava, o Redondo, rodeado de soutos e carvalheiras e os grandes valados eram testemunha do trabalho humano. Carvalhos e castinheiros ficam, e valados também, mas pouco haverá quem apanhe as castanhas.

Em fim, que a morte dum vizinho levou-me a Friólfe num dia triste, nevoento, para vêr um mundo que se foi.

Suso L. Gaioso
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