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martes, 21 de abril de 2009
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| Entre feísmo e saudade |
Um día en terras do Páramo, embora limitando com Láncara vim duas casas. Uma de cantaria muito bem restaurada, e outra de tijolo sem recebar, exemplo de feismo urbanistico. Souben logo que as duas casas som da mesma familia, que vive na feia e restaurou a outra com subsidios da Junta, e a verdade é que eu nom entendo como se pôde subsidiar a arquitectura se nom está num meio adequado, e nom entendo muitas coisas, porque antes de ver isto vira carvalheiras cheias de pinheiras, quando desconheço que carvallos e pinheiras tenham uma boa simbiose. Avaricia, mal gosto, ... Tudo se junta numa terra de violência, como eu a definim nalgúm momento, e na que a violência nom se limita a empunhar uma caçadoira ou uma navalha, porque como escrebeu uma vez Lluis Maria Xirinaes, violência é todo o que rompe o funcionamento normal da Natureza, e desde logo quando nom estamos cumplindo o nósso papel nessa Natureza entendo que estamos cometendo actos violentos.
En fim, que me sentim agredida, porque a paisage também é minha, e procurei centrar a minha mente no recordo dum formoso gato _ou gata_ que se movia por lá alheio a tudo, ou nos tempos da escola quando lá ao lado intentavamos pescar peixes com as mãos _que non pescamos nunca um_, na visita ao cruzeiro que está naquela pequena montanha, na minha companheira de mesa, que tam bem sabia dar-lhe um beijo, que era de perto de lá, nos recreios passados na biblioteca, onde conhecim a Marx e a outra gente, que por certo levava Dona Josefina, que antes fora mestra da paróquia na que vim feismo... Pensei em muitas coisas, e penso que a saudade me fixo nom cometer ninguma imprudência, porque os tempos passados nom é que fossem bons, senom que pensavamos que estes iam sêr melhores, e eu sego sem poder escrever o que me pediu Ramóm Muntxaraz sobre a saudade, porque quiçá me passe como um vizinho grande bebedor de vinho, que numa ocassom seica dixo que ele nom valia para catador de vinhos porque gostava de todos; quiçá eu tenha tanta saudade que nom póssa defini-la, e encima pela minha filosofia marxista nom pósso dar-lhe a razom a Ramom Pinheiro, que dixo que a saudade era um sentimento imaterial. Teno saudade do passado e tenho-a do futuro, mas nom sei o que é, e contenta-me nom sabê-lo porque nom me considero por riba dos filosofos que abordaram o tema.
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| Suso L. Gaioso |
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